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Guia de equipamento

ESP32 Marauder: transformar anúncios Wi-Fi em um inventário útil

Entenda placa, firmware, SSID, BSSID, canal e RSSI; compare um ponto de acesso de laboratório com registros esperados e aprenda a tratar divergências.

Da lista de redes à pergunta correta

Uma lista de Wi-Fi pode mostrar nomes familiares, nomes desconhecidos e várias entradas parecidas. Para transformá-la em informação útil, precisamos de um inventário esperado e de uma pergunta verificável: o anúncio do meu ponto de acesso aparece como previsto, nas condições deste ensaio?

ESP32 Marauder é um projeto de firmware para diferentes placas. Antes de acompanhar o exercício, identifique qual delas você vai usar: placa, versão e acessórios da unidade apresentada aqui ainda não estão documentados. A documentação distingue variantes com processadores, interfaces e rádios diferentes. Algumas versões atuais usam ESP32-C5 e oferecem duas bandas; isso não estabelece a cobertura de uma unidade chamada apenas “ESP32 Marauder”. Confira a combinação de placa e firmware antes de interpretar uma ausência na lista.[1]

Vamos observar anúncios de um AP próprio ou formalmente autorizado e compará-los com o que você espera encontrar. AP, ou ponto de acesso, é o equipamento que oferece acesso à rede sem fio. O exercício não exige conectar clientes nem modificar o tráfego da rede.

O que a função Scan APs observa

Um AP anuncia sua rede por quadros de gerenciamento chamados beacons. A documentação de Scan APs descreve a identificação desses quadros, a apresentação de MAC e ESSID e a organização de uma lista por BSSID. O caminho documentado é WiFi → Sniffers → Scan APs; confira sua correspondência com o firmware instalado.[2]

Isso é uma observação de anúncios recebidos. Ela não equivale a listar todos os computadores, celulares e objetos conectados, nem a inspecionar seus arquivos. Uma máquina ligada por cabo, por exemplo, não se torna uma entrada de AP por existir na mesma rede.

Quatro campos que merecem nomes próprios

Os registros de AP do driver Wi-Fi da Espressif distinguem SSID, BSSID, canal primário e RSSI. Essa estrutura explica os conceitos; não garante que a sua tela do Marauder exiba todos esses campos.[3]

Campo Como usar na análise
SSID Nome da rede apresentado aos usuários; compare a grafia esperada
BSSID Endereço MAC associado ao BSS observado; compare com o registro administrativo
Canal Região de frequência utilizada; registre também a banda
RSSI Indicador de intensidade recebida; compare condições semelhantes

SSID não é uma identidade exclusiva. Um nome repetido precisa ser interpretado com o inventário. E uma caixa física não precisa corresponder a uma única entrada: equipamentos com múltiplos BSSIDs podem apresentar várias redes virtuais. A documentação Cisco mostra essa possibilidade em APs que a suportam; não é uma especificação da placa Marauder.[4]

RSSI também não é uma régua de distância. Na API documentada, ele é expresso em dBm; −45 dBm representa um nível maior que −70 dBm. Registre o valor como observação naquele receptor e posição, sem transformá-lo diretamente em metros.[3]

Placa, firmware e interface fazem parte do resultado

Antes do ensaio, anote a identificação completa da placa, a versão apresentada pelo firmware, a antena e a forma de operação: tela integrada, interface serial ou equipamento complementar. A tabela oficial de compatibilidade orienta a correspondência entre hardware e binário. Usar o mesmo nome de família ESP32 não torna arquivos de firmware intercambiáveis.[1]

Se sua interface mostrar apenas MAC e ESSID, o laboratório continua válido. Preencha canal e RSSI como não exibidos, em vez de copiar valores de um tutorial ou da configuração do AP e apresentá-los como medidos. “Configurado”, “anunciado” e “observado” são colunas distintas.

Fluxo didático: inventário autorizado e anúncios observados são comparados; os resultados se dividem em correspondência, divergência a verificar e informação não observada.

Use o diagrama conceitual para acompanhar a comparação. Ele não é captura da interface, medição da unidade ou mapa de uma rede real.

Laboratório: um AP conhecido, uma mudança por vez

Objetivo: construir uma comparação repetível entre configuração administrativa e anúncio observado. Use um AP dedicado de laboratório, acesso ao seu painel e a unidade Marauder identificada. Escolha uma banda e um canal permitidos e suportados pelos dois equipamentos. O AP pode ficar sem conexão à internet; o objeto de estudo é seu anúncio local.

  1. Registre o esperado. No painel do AP, anote SSID, banda, canal configurado e BSSID de rádio/WLAN quando disponível. O MAC impresso na caixa pode identificar outra interface; prefira a informação específica do rádio. Se o painel não fornecer BSSID, marque essa limitação.

  2. Defina a montagem. Dê ao ensaio um nome, por exemplo CTW-LAB-A. Marque uma posição fixa para o observador, registre a orientação da unidade e escolha uma janela de observação, como 60 segundos. Esse tempo organiza a comparação e não garante cobertura completa.

  3. Prepare o registro mínimo. A página Scan APs informa que beacons podem ser gravados em PCAP quando há cartão SD. Para este exercício, prefira registro manual dos dados do próprio AP e desative gravação quando a versão permitir, ou opere sem cartão. Não publique capturas com identificadores de terceiros.[2]

  4. Comece uma lista nova. Preserve trabalhos anteriores e limpe apenas a lista temporária do ensaio usando a opção documentada para sua versão. O projeto explica que novas varreduras podem acrescentar entradas à lista existente; uma entrada antiga não demonstra presença atual.[5]

  5. Observe o AP ligado. Inicie Scan APs no caminho disponível e aguarde a janela escolhida. Registre a presença do BSSID esperado, o SSID e apenas os campos efetivamente exibidos. Anote horário e ponto de observação.

  6. Compare com o AP desligado. Desligue somente o AP dedicado, reinicie a lista e repita a mesma janela. Uma diferença entre as duas condições ajuda a relacionar a entrada com a referência. Se o nome continuar aparecendo, confira BSSID e estado da lista antes de concluir que existe outro aparelho.

  7. Ligue novamente e repita. Volte à mesma posição e confirme o retorno do anúncio. Faça três ciclos. Se o AP escolher canal automaticamente após reiniciar, registre a mudança; ela passa a ser uma variável do ensaio.

  8. Teste uma alteração controlada. Opcionalmente, mude apenas o nome do SSID do AP de laboratório e repita a observação. Confira se o BSSID permaneceu igual ou mudou. O objetivo é documentar o comportamento da referência, sem presumir o resultado.

Um registro que separa fato e hipótese

Tabela ILUSTRATIVA, com nomes e BSSIDs fictícios e sem medição real. Banda e canal mostrados são um exemplo em 2,4 GHz; não declaram suporte da unidade. RSSI só deve constar como observado se a interface realmente o fornecer.

Condição fictícia SSID observado BSSID fictício Canal / RSSI ilustrativos Interpretação
AP ligado CTW-LAB-A 02:00:00:00:00:01 6 / −45 dBm Entrada correspondente à referência
AP desligado, lista nova Não observado Não observado Não disponível Referência não vista nessa janela
AP ligado novamente CTW-LAB-A 02:00:00:00:00:01 6 / −47 dBm Entrada reapareceu; nível variou
SSID alterado no painel CTW-LAB-B 02:00:00:00:00:01 6 / −46 dBm Neste exemplo, nome mudou e BSSID permaneceu

O retorno após religar torna a comparação mais informativa que uma única ausência. Entretanto, o experimento não prova autenticidade criptográfica do anúncio nem a segurança da rede. Ele testa a correspondência entre um registro esperado e observações repetidas.

Como investigar divergências

AP esperado ausente: confira banda suportada, configuração de canal, posição, tempo de observação e funcionamento da referência. Registre “não observado”, sem concluir imediatamente que o AP está desligado.

Nome conhecido com outra entrada: confira redes virtuais e o inventário administrativo. Não atribua propriedade ou intenção pelo SSID. Quantidade de entradas maior que a de caixas: revise múltiplos BSSIDs antes de contar equipamentos. Entrada persistente após desligar: confira o acúmulo da lista e repita com estado novo.[4][5]

A segurança de uma WLAN depende também de configuração, autenticação, manutenção e monitoramento dos componentes. O inventário é uma entrada para esse trabalho, não seu resultado completo. O NIST SP 800-153 trata esse ciclo de vida; este exercício não avalia todos os seus controles.[6]

Entrega prática

Guarde uma ficha com o esperado, o observado, as diferenças e a próxima verificação. Inclua placa, firmware, banda coberta, local, janela de tempo e campos indisponíveis, para conseguir repetir a comparação nas mesmas condições. Remova identificadores de terceiros de qualquer material compartilhado.

Para estudar o que uma rede de visitantes realmente separa, continue no artigo sobre limites de rede. Para distinguir anúncios Wi-Fi de energia observada no espectro, compare com o guia do tinySA Ultra.

Referências

  1. JustCallMeKoko. Supported Hardware and Firmware Targets. ESP32 Marauder Wiki, 2026. Compatibilidade entre placas, interfaces e binários. Fonte. Consulta em 17 out. 2026. ↩ ↩2

  2. JustCallMeKoko. Scan APs. ESP32 Marauder Wiki. Beacons, campos apresentados, navegação e gravação em SD. Fonte. Consulta em 17 out. 2026. ↩ ↩2

  3. Espressif Systems. ESP-IDF Programming Guide: Wi-Fi. Documentação estável v6.1, ESP32. Estrutura wifi_ap_record_t: SSID, BSSID, canal e RSSI. Fonte. Consulta em 17 out. 2026. ↩ ↩2

  4. Cisco. Configuring Multiple Basic Service Set Identifiers and Microsoft WPS IE SSIDL. Wireless LAN Configuration Guide, IOS XE Fuji 16.7.x. Múltiplos BSSIDs em um AP. Fonte. Consulta em 17 out. 2026. ↩ ↩2

  5. JustCallMeKoko. Select APs. ESP32 Marauder Wiki. Consulta e acúmulo da lista; referência à função Clear APs. Fonte. Consulta em 17 out. 2026. ↩ ↩2

  6. NIST. Guidelines for Securing Wireless Local Area Networks (WLANs). SP 800-153, 2012. Segurança dos componentes ao longo do ciclo de vida. Fonte. Consulta em 17 out. 2026. ↩

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